Linux e Ubuntu
Ubuntu 26.10 “Stonking Stingray”
Conheça as principais novidades do Ubuntu 26.10 “Stonking Stingray”, incluindo Linux 7.3, segurança reforçada, coreutils em Rust, OpenSSL 4.0 e mudanças para desktop e servidores.

O Ubuntu 26.10, codinome “Stonking Stingray”, está chegando.
A versão final está prevista para 15 de outubro de 2026, e a Canonical já colocou a distribuição em fase final de congelamento e testes.
Diferente de uma versão LTS, o Ubuntu 26.10 é uma release intermediária. Isso significa que ela recebe tecnologias mais novas mais cedo, mas possui um ciclo de suporte menor.
Mesmo assim, esta versão é especialmente interessante porque antecipa várias decisões que provavelmente vão amadurecer até o próximo grande LTS.
Entre as principais mudanças estão:
- Linux Kernel 7.3;
- todos os coreutils padrão migrados para Rust;
- OpenSSL 4.0 e OpenSSH 10.5;
- troca de
dbus-daemonpordbus-broker; - mudanças importantes no Secure Boot;
- melhorias em criptografia e autenticação;
- novidades para desktop, servidor, WSL e cloud;
- mudanças que apontam para o futuro Ubuntu 28.04 LTS.
Mas a pergunta principal é:
Vale a pena atualizar para o Ubuntu 26.10 ou continuar em uma versão LTS?
Vamos entender.
O que vamos ver
- O que significa o nome Stonking Stingray.
- Quando o Ubuntu 26.10 será lançado.
- Por que ele não é LTS.
- Linux Kernel 7.3.
- Coreutils em Rust.
- Mudanças no Secure Boot.
- OpenSSL 4.0 e criptografia pós-quântica.
- OpenSSH 10.5.
dbus-brokersubstituindodbus-daemon.- Novidades de segurança.
- Myna: reconhecimento de voz local.
- Mudanças para servidores.
- Ubuntu no WSL e cloud.
- Para quem vale atualizar.
- Quando continuar no Ubuntu 26.04 LTS.
Notas:
O Ubuntu 26.10 ainda está em desenvolvimento na data deste artigo. O lançamento final está agendado para 15 de outubro de 2026. Até lá, detalhes ainda podem mudar.
Tecnologias e conceitos utilizados
- Ubuntu 26.10
- Linux Kernel 7.3
- Rust
- OpenSSL 4.0
- OpenSSH 10.5
- dbus-broker
- AppArmor
- Secure Boot
- TPM
- WSL
- Cloud Images
O que significa “Stonking Stingray”?
Como acontece tradicionalmente no Ubuntu, cada versão recebe um codinome formado por:
No Ubuntu 26.10 temos:
ou algo como:
“Arraia impressionante”
em uma tradução livre.
A Canonical usa esses nomes principalmente como identidade interna durante o ciclo de desenvolvimento. No final, o que importa para o usuário é:
Ubuntu 26.10
Quando o Ubuntu 26.10 será lançado?
O cronograma oficial coloca a versão final em:
15 de outubro de 2026
O ciclo passou por etapas como:
A Beta pública foi anunciada em 1º de outubro.
Desde então, o foco é principalmente corrigir bugs, validar hardware, estabilizar instaladores e preparar as imagens finais.
Ubuntu 26.10 não é LTS
Esse é um ponto importante.
O Ubuntu segue dois tipos principais de release.
LTS
Long Term Support
Exemplo:
Ubuntu 26.04 LTS
Essas versões são pensadas para:
- empresas;
- produção;
- servidores;
- usuários que querem estabilidade;
- máquinas que ficarão anos sem grandes mudanças.
Releases intermediárias
Como:
Ubuntu 26.10
Elas chegam a cada seis meses e recebem tecnologias mais recentes.
O Ubuntu 26.10 terá suporte até julho de 2027.
Isso significa aproximadamente nove meses de suporte.
Se seu servidor precisa permanecer anos sem upgrade, a LTS costuma fazer mais sentido.
Se você quer acompanhar a evolução da plataforma, 26.10 fica mais interessante.

1. Linux Kernel 7.3
Uma das maiores mudanças está no kernel.
Ubuntu 26.10 utiliza:
Linux 7.3
A Canonical costuma entregar o kernel upstream mais recente possível antes do freeze da distribuição.
Isso significa acesso mais cedo a:
- novos drivers;
- melhorias de hardware;
- correções;
- novos recursos do kernel;
- segurança;
- melhorias em virtualização.
Por que a versão do kernel importa?
O kernel fica entre o hardware e o restante do sistema.
Quando o kernel ganha suporte a novo hardware, o Ubuntu também se beneficia.
Por isso uma versão mais nova costuma ser interessante para computadores recentes.
A Canonical também destaca melhorias de segurança em áreas como Landlock, AppArmor, SELinux, Smack, TPM, BPF e NTFS3.
2. Coreutils agora totalmente em Rust
Essa é uma das mudanças mais interessantes do Ubuntu 26.10.
Comandos básicos do Linux incluem coisas como:
cp
mv
rm
ls
cat
Historicamente, essas ferramentas fazem parte do GNU Coreutils.
No Ubuntu 26.04 LTS, a Canonical já havia começado a adotar a implementação uutils, escrita em Rust.
Mas alguns comandos importantes ainda continuavam usando as versões GNU tradicionais.
No Ubuntu 26.10, essa migração é completada para os coreutils padrão.
Por que Rust?
Rust foi criado com forte foco em segurança de memória.
Problemas comuns em linguagens de baixo nível podem incluir:
use-after-free
buffer overflow
acesso fora dos limites
Rust consegue impedir várias dessas classes de erro através do compilador e de verificações em runtime quando necessário.
Isso não significa que Rust seja imune a bugs.
Erros de lógica continuam existindo.
Mas uma categoria importante de problemas fica mais difícil de introduzir.
Notas:
Se você administra servidores ou possui scripts de automação antigos, teste o comportamento das novas implementações antes de migrar máquinas importantes, principalmente em fluxos que dependem de cp, mv e rm.
3. Secure Boot ficou menor
Outra mudança relevante está no GRUB.
GRUB é o bootloader utilizado para iniciar o sistema.
Em uma máquina com UEFI Secure Boot, o fluxo normalmente passa por algo parecido com:
Quanto mais código existe antes do kernel, maior pode ser a superfície de ataque.
Ubuntu 26.10 reduz as funcionalidades presentes na versão assinada do GRUB.
Continuam suportados no caminho de boot tradicional formatos como ext4, FAT e ISO9660, além de squashfs para snaps.
Alguns drivers e cenários menos comuns saem do build assinado.
Isso não significa que Btrfs, XFS, ZFS, LVM ou LUKS deixem de funcionar dentro do Ubuntu.
A mudança está especificamente no caminho de boot protegido pelo Secure Boot.
A lógica é simples:
4. Criptografia de disco via TPM ficou mais ampla
Ubuntu continua investindo em:
TPM-backed Full Disk Encryption
Ou seja:
O TPM pode liberar automaticamente a chave do disco quando o sistema está em um estado considerado confiável.
Ubuntu 26.10 amplia esse recurso para máquinas sem uma hardware root of trust completa.
Nesses casos, pode ser necessário utilizar PIN ou passphrase.
5. OpenSSL 4.0
Ubuntu 26.10 também traz:
OpenSSL 4.0
OpenSSL é uma das bibliotecas criptográficas mais importantes do ecossistema Linux.
Ela está por trás de inúmeras conexões envolvendo:
HTTPS
TLS
certificados
assinaturas
A versão 4.0 continua o trabalho relacionado à criptografia pós-quântica iniciado anteriormente.
Criptografia pós-quântica?
Computadores quânticos suficientemente poderosos poderiam comprometer algoritmos de chave pública usados hoje.
Ainda estamos falando de uma ameaça futura.
Mas existe um problema:
Por isso existe um movimento de adoção antecipada de algoritmos resistentes a computadores quânticos.
Ubuntu 26.10 continua oferecendo tecnologias como:
ML-KEM
ML-DSA
SLH-DSA
além de mecanismos híbridos de troca de chaves.
6. OpenSSH 10.5
SSH é praticamente uma ferramenta diária para quem administra servidores Linux.
Ubuntu 26.10 inclui:
OpenSSH 10.5
com melhorias de segurança e correções.
A troca de chaves híbrida pós-quântica continua sendo padrão.
Para quem utiliza:
ssh usuario@servidor
talvez pouca coisa seja percebida visualmente.
Mas por trás da conexão existem melhorias importantes de segurança.
7. dbus-broker substitui dbus-daemon
Essa é outra mudança estrutural.
D-Bus permite comunicação entre aplicações e serviços.
Ubuntu utiliza dbus-daemon há muitos anos.
No Ubuntu 26.10, o padrão passa a ser:
dbus-broker
O dbus-broker utiliza uma arquitetura moderna e orientada a eventos.
Entre os objetivos estão:
- melhor contabilidade de recursos;
- confiabilidade;
- escalabilidade;
- integração moderna com Linux.
A Canonical também manteve as políticas do AppArmor integradas ao novo broker.
8. Segurança está no centro desta release
Ubuntu 26.10 parece ter um tema claro:
Isso aparece em várias partes:
Essa combinação é provavelmente mais relevante do que qualquer mudança visual isolada.
9. upki melhora revogação de certificados
Outra novidade técnica é:
upki
Historicamente, ferramentas de linha de comando Linux não possuem a mesma infraestrutura de revogação de certificados encontrada em navegadores modernos.
Ubuntu 26.10 começa a integrar dados locais de revogação.
Uma das integrações iniciais acontece com:
curl
Isso permite que conexões HTTPS detectem certificados revogados como parte da verificação.
Para desenvolvedores e administradores, é uma melhoria pouco visível, mas importante.
10. Myna: reconhecimento de voz local
No desktop temos uma novidade diferente:
Myna
Myna é um recurso de speech-to-text.
A parte interessante é onde o processamento acontece:
no próprio dispositivo
Depois de baixar os modelos necessários, a transcrição pode funcionar sem depender de uma API externa na nuvem.
Segundo a Canonical, o áudio é processado em memória e descartado após o uso.
Isso ajuda em privacidade, acessibilidade e funcionamento offline.
11. authd melhora integração com Microsoft
Ubuntu também continua avançando em ambientes corporativos.
O serviço authd permite autenticar usuários usando provedores de identidade.
No Ubuntu 26.10 existem melhorias envolvendo:
Isso ajuda empresas que já utilizam identidades centralizadas.
Além disso, NetworkManager ganha suporte melhor a PKCS#11 e smart cards, abrindo espaço para tokens de hardware em determinados fluxos de VPN.
12. Novidades para servidores
A versão Server também atualiza componentes importantes.
FreeRADIUS 3.2.10
Recebe melhorias e correções, incluindo mudanças de segurança em configurações novas.
FRRouting 10.7.1
Traz evoluções para BGP, EVPN, BFD e redes avançadas.
HAProxy 3.4.2
HAProxy avança para a linha 3.4.2, que é LTS upstream.
Entre mudanças de defaults estão ajustes no algoritmo de load balancing e políticas de CPU.
Para ambientes que dependem dessas ferramentas, vale ler as release notes específicas antes de atualizar.
13. Ubuntu 26.10 também chega para WSL e cloud
Não estamos falando apenas de uma ISO para instalar em notebook.
A Beta foi publicada em diferentes formatos de uso:
Para quem desenvolve no Windows, a imagem WSL é especialmente interessante.
14. Arquiteturas continuam diversificadas
Ubuntu 26.10 possui imagens para diferentes arquiteturas e cenários.
Entre elas aparecem:
- AMD64;
- ARM64;
- POWER;
- RISC-V;
- IBM System z.
Isso reforça uma das vantagens do ecossistema Linux:
Linux não está preso a uma única família de processadores
Também vale atenção aos builds desktop x86-64-v3, que exigem instruções mais recentes como AVX e AVX2.
Hardware muito antigo pode ficar fora de determinados caminhos de instalação.
Ubuntu 26.10 é mais rápido?
Essa é uma pergunta difícil de responder de forma genérica.
Não existe um número como:
Ubuntu 26.10 = 20% mais rápido
que sirva para todo mundo.
Performance depende de CPU, GPU, driver, aplicação, filesystem e workload.
Mas uma combinação de kernel novo, bibliotecas recentes e componentes modernizados pode melhorar desempenho ou compatibilidade em cenários específicos.
Então por que lançar versões intermediárias?
Porque elas funcionam como uma ponte de inovação.
Mudanças grandes podem ser introduzidas e testadas em releases intermediárias antes de chegarem ao próximo LTS.
A própria Canonical posiciona várias mudanças do Ubuntu 26.10 como preparação para o Ubuntu 28.04 LTS.
Ubuntu 26.10 vs Ubuntu 26.04 LTS
| Ponto | Ubuntu 26.04 LTS | Ubuntu 26.10 |
|---|---|---|
| Foco | estabilidade | tecnologias mais novas |
| Suporte | longo prazo | até julho de 2027 |
| Kernel | mais conservador | Linux 7.3 |
| Mudanças grandes | menos frequentes | mais experimentação |
| Servidor de produção | geralmente melhor escolha | depende do workload |
| Desktop entusiasta | ótimo | mais novidades |
| Hardware muito novo | bom | pode ter suporte mais recente |
- Ponto
- Foco
- Ubuntu 26.04 LTS
- estabilidade
- Ubuntu 26.10
- tecnologias mais novas
- Ponto
- Suporte
- Ubuntu 26.04 LTS
- longo prazo
- Ubuntu 26.10
- até julho de 2027
- Ponto
- Kernel
- Ubuntu 26.04 LTS
- mais conservador
- Ubuntu 26.10
- Linux 7.3
- Ponto
- Mudanças grandes
- Ubuntu 26.04 LTS
- menos frequentes
- Ubuntu 26.10
- mais experimentação
- Ponto
- Servidor de produção
- Ubuntu 26.04 LTS
- geralmente melhor escolha
- Ubuntu 26.10
- depende do workload
- Ponto
- Desktop entusiasta
- Ubuntu 26.04 LTS
- ótimo
- Ubuntu 26.10
- mais novidades
- Ponto
- Hardware muito novo
- Ubuntu 26.04 LTS
- bom
- Ubuntu 26.10
- pode ter suporte mais recente
Quem deveria atualizar?
Eu consideraria o Ubuntu 26.10 principalmente para:
- desenvolvedores;
- usuários que gostam de testar novidades;
- máquinas com hardware recente;
- quem quer acompanhar a evolução do Ubuntu;
- ambientes de teste;
- desktops pessoais sem necessidade de suporte longo.
Quem deveria continuar no LTS?
Eu pensaria duas vezes antes de atualizar um:
servidor de produção crítico
ou:
ambiente corporativo estável
ou qualquer máquina que não possa ser atualizada novamente em poucos meses.
Nesses casos, Ubuntu 26.04 LTS continua fazendo bastante sentido.
Posso atualizar agora?
Tecnicamente é possível instalar ou testar as imagens Beta/RC.
Mas lembre:
a versão final ainda não foi lançada
na data deste artigo.
Se quiser experimentar antes, uma máquina virtual ou uma máquina secundária é uma escolha mais segura.
Notas:
Evite substituir seu ambiente principal de trabalho pela Beta apenas por curiosidade. O lançamento final está previsto para 15 de outubro de 2026.
Como testar o Ubuntu 26.10 sem instalar na máquina?
Uma opção simples é utilizar uma máquina virtual.
Passo a Passo
Passo 1: Baixe a imagem
Utilize a página oficial de releases do Ubuntu 26.10.
Passo 2: Crie uma VM
Pode ser VirtualBox, VMware, UTM ou outro hypervisor compatível.
Passo 3: Aloque recursos
Para testes de desktop, reserve RAM, CPU e armazenamento suficientes.
Passo 4: Inicialize pela ISO
Inicie a VM utilizando a imagem do Ubuntu 26.10.
Passo 5: Teste antes de migrar
Verifique seus programas, scripts e ferramentas de desenvolvimento.
O que eu testaria como desenvolvedor?
Se você utiliza Linux para desenvolvimento, eu verificaria:
Node.js
npm / pnpm
Docker
VS Code
Git
SSH
bancos locais
scripts bash
toolchains
Principalmente scripts que dependem de comportamento específico dos coreutils.
Verificando a versão do Ubuntu
lsb_release -a
Ou:
cat /etc/os-release
Verificando o kernel
uname -r
No Ubuntu 26.10 final, a expectativa é encontrar a linha 7.3 com os patches específicos do Ubuntu.
Verificando a arquitetura
uname -m
Você pode encontrar algo como:
x86_64
ou:
aarch64
O que mais chama atenção nesta versão?
Para mim, o Ubuntu 26.10 é interessante menos por uma única funcionalidade e mais pela direção que ele mostra.
Existe uma linha clara:
modernizar componentes fundamentais sem abandonar segurança e compatibilidade.
✅ Resultado Final
Ubuntu 26.10 “Stonking Stingray” não é apenas uma atualização visual.
Entre os principais destaques estão:
- Linux Kernel 7.3.
- Coreutils padrão totalmente migrados para Rust.
- GRUB assinado com superfície de ataque reduzida.
- TPM-backed disk encryption em mais máquinas.
- OpenSSL 4.0.
- OpenSSH 10.5.
- dbus-broker substituindo dbus-daemon.
- Melhorias de segurança e criptografia pós-quântica.
- Myna com speech-to-text local.
- Melhorias de autenticação corporativa.
- Atualizações importantes para Ubuntu Server.
- Imagens para Desktop, Server, WSL e Cloud.
🛠️ Considerações Finais
Ubuntu 26.10 parece ser uma dessas versões intermediárias que importam mais pelo que estão preparando do que pela quantidade de novidades visuais.
A Canonical está mexendo em partes profundas do sistema:
E várias dessas mudanças apontam diretamente para o futuro Ubuntu 28.04 LTS.
Para desenvolvedores e entusiastas, Stonking Stingray é uma versão interessante porque permite acompanhar essas mudanças agora.
Para servidores e máquinas de trabalho críticas, entretanto, a decisão precisa ser mais conservadora.
Ubuntu 26.04 LTS continua oferecendo aquilo que muitas empresas realmente precisam, enquanto o Ubuntu 26.10 prioriza novidades mais recentes:
Então a resposta para:
“Vale atualizar?”
é simples: depende do seu objetivo.
Se sua prioridade é experimentar o que existe de mais recente no ecossistema Ubuntu, o 26.10 é bastante interessante.
Se sua prioridade é manter uma máquina estável durante anos, provavelmente ainda vale continuar no LTS.



